Perdida no outro lado
Não sei como vim
parar nesse lugar só
sei que a três
dias atrás quando abri
meus olhos eu estava
quase me afogando em
um lago com suas
águas bem escuras e
frias, mas o pior
é que eu nunca
estivera em algum
lugar parecido, apesar da
água ser muito fria
eu consegui nadar rápido
o suficiente para a
margem, mas infelizmente
eu não era a
única que estava dentro
do lago, os outros
não conseguiram sair
e acabaram morrendo afogados.
O
capim era mais ou
menos a minha altura,
eu olhei ao meu
redor e vi que
aquele lugar era lindo
e também assustador.
No mesmo momento em
que pensei isso uma
mulher apareceu e disse:
__Socorro! Por
favor, ajude o meu
menino!
Em
geral eu diria para
ela se acalmar e
iria embora, mas assim
que vi o menino
a uns 70m senti
algo que nunca havia
sentido antes e
foi muito mais forte
que eu.
__Eu vou
buscá-lo!!
Não
entendi por que
falei aquilo, apenas disse, mas
ela também tinha duas
pernas e boca, por
que não o chamou? Mas
mesmo se ela o
chamasse eu ainda
iria querer me aproximar
do menino, era como
se ele fosse parte
de mim.
Corri
atrás dele e o
alcancei antes que
entrasse na mata, foi
um alivio! Pelo o
que notei pareceu que
meu sussurro atraiu algo
do tipo místico como
se tivesse despertado
o vento! Pior é
que o vento passou
a soprar de modo
tão sombrio e obscuro, as
folhas secas começaram
a voar em minha
direção, coloquei as minhas
mãos a mais ou
menos um palmo de
distância do meu
rosto, e fechei os
olhos por uns 3 segundos, mas
quando os abri novamente
percebi o quanto
minhas mãos haviam mudado, pareciam
de ser porcelana, eram totalmente
perfeitas e claras. Fiquei assustada com isso e então sai correndo.
Acompanhei o menino até a casa dele, onde a mãe dele me agradeceu e me
ofereceu obrigo.
Fiquei lá por
uma noite, mas o tempo parecia não passar, e também eu nem estava cansada.
Então eu comecei a observar as pessoas que estavam ao meu redor, percebi que
elas tinham um olhar tão triste, agiam como se já estivessem cansadas de andar
em busca do que queriam. Não me senti bem em ficar perto delas, como se eu
acabace me entristecendo também, acabei decidindo, que iria pra minha
casa,embora não fazia ideia nem uma de como chegaria até ela já que eu não
sabia onde esta.
No dia seguinte sem falar com ninguém, sai seguindo por uma trilha, caminhei
por horas até chegar a uma estrada de chão, que estava cercada de pés de pessegueiros
muito bem floridos. Caminhei por mais algumas horas, quando avistei uma casa e
pensei em pedir informações para quem estivesse lá. Havia um lindo jardim na
frente e lá vivia um casal bem jovem e sem nenhum filho, mas eles pareciam
felizes, apesar de morar praticamente no meio do nada. Eles me receberam com
muito carinho, expliquei a eles minha situação e eles me olharam com um olhar
triste e disseram, que eu nunca iria
voltar pra casa!
Assustei-me com
isso e fui embora sem dizer adeus. Continuei a caminhar entre os pessegueiros e
alguém disse:
__Ei!
__Quem?-disse eu.
__você mesmo!
Um menino que estava atrás de uma das arvores, que também parecia estar perdido.
__Você pode me ajudar? Eu to
perdido, eu acho- disse ele com aflição.
__Desculpe,
mas não, pois estou tão perdida quanto você- disse eu com certa pena do menino
que apresentava ter uns oito anos de idade.
__Ah!
Tudo bem, já estou acostumando a ouvir isso.
Ele se virou e saiu correndo entre as arvores. E eu continuei a caminhar,
por muito tempo.
Eu estava me segurando, fazendo o possível e o impossível para manter a calma,
mas teve um momento em que sustei! Fiquei dizendo que era tudo num sonho e eu
precisava acordar,fiquei me debatendo,chorei por um bom tempo. Depois disso
voltei à tona e fechei os olhos pedindo para que de algum modo eu conseguisse
descobrir o porquê eu estou aqui, perdida!
Quando abri os olhos, havia voltado à estaca zero,pois estava próximo ao
lago do inicio,Respirei fundo e fui até a margem para lavar o rosto, toquei na
água com a mão em concha, de repente a água parou de se movimentar como se
tivesse congelado, no reflexo pude ver meus pais juntos co0m muitos amigos da família e também meus amigos da
faculdade,pensei que fosse coisa da minha cabeça mas parecia que estavam em um cemitério,
mas pensei logo! Quem faleceu? Olhei no epitáfio e lá dizia “Rayla Siqueira
Laos 1978 à 1995-Falecida em um acidente de carro proposital,dia
05/09/1995”.Fiquei pasma pois era eu que havia morrido,aquele lago era um
espelho,pra vida real,eu estava do outro lado. Só de pensar que aquele seria o
meu fim!Fiquei sem nem um tipo de reação! Como se estivesse mesmo morta. O pior
é que a culpa da minha morte era eu mesma.
Depois de ver toda aquela cena do meu próprio enterro!Acabei me trancando
no medo e culpa, onde não havia nem um som sem ser o do meu choro!
Não sei por que
fiz com que minha morte fosse proposital, só sei que agora sinto culpa por
fazer tantas pessoas sofrerem, incluindo eu.
Acho que mereço ficar perdida do outro lado já que fui tão cruel, A única
coisa que não entendo é por que não me lembro de ser uma suicida!
Assim que vi a
cena no lago fiquei pensando em como era minha vida, passei a ver aquele mundo
com outros olhos e notei que as pessoas não viviam, elas não agiam por conta
própria, simplesmente imitavam umas as outras como em um espelho.
Depois de tudo fiquei me perguntando, será que ninguém percebe que estão
vivendo um reflexo?Será que a realidade virou ilusão? Acho que sim, mas quem
ira mudar isso. Penso que ninguém, pois se você vê no espelho que seu rosto
esta sujo, o seu reflexo não vai limpá-lo.
Posso compara a vida das pessoas
como um computador a vida das pessoas como um computador, uma maquina, mas sem
manual de instruções! E mesmo que tivesse quem iria ler, pois ninguém lê
manual. Se bem que se tivesse um manual pra mudar as pessoas eu leria, afinal
já não me resta mais nada a fazer.
Pensar nos bons
momentos que tive é uma boa distração! O problema é que não tive bons momentos
eu programava tanto a minha vida, meus horários sempre eram tão lotados que nem
me lembro do meu primeiro beijo, que acredito ser inesquecível na vida de
todos.
Pensei e
repensei as minhas idéias malucas de infância e senti algo diferente, algo
muito forte e em meio tudo isso eu mergulhei com vontade no lago, como se
soubesse exatamente o que estava fazendo, coisa que eu não sabia! A água era
fria e escura como antes, a parte estranha e legal é que eu não precisava me
preocupar com o oxigênio, mas em minha mente eu escutava um som com curtos
intervalos de 2 a 3 segundos, já havia escutado isso antes, só não lembrava onde! E quanto mais
fundo eu mergulha mais alto o som ficava PI... PI... PI... PI... Até pensei em
voltar, pois estava com medo, mas não voltei, só continuei a nadar cada vez
mais fundo! E o som me atordoando PI... PI... PI... Era como se aquele ruído me
guiasse, me guiasse ao meu verdadeiro lugar! Teve um momento que me senti fraca
pra continuar, mas não parei e PI... PI... PI... PI... PIIIIIIIIIII... o ruído
prolongado foi um toque pra mim, pois lembrei onde já havia escutado os leves
ruídos, era o Medidor de pulsação cardíaca! No mesmo momento pensei logo “Eu
não estou morta?!” logo em seguida senti um choque e tudo ficou escuro e fechei
os olhos com força, tudo se silenciou e abri os olhos lentamente e vi um homem
de branco, poderia pensar que fosse Deus, mas ele não estaria usando mascara e nem com um desfibrilador nas
mãos.
Ellen Cristina Macedo
Nenhum comentário:
Postar um comentário