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domingo, 25 de maio de 2014

Tudo que eu quero

                                                                                                                                         
Quero acordar ao seu lado todas as manhãs.
Quero sentir seu cabelo despenteado ao acordar.
Quero ver seu corpo molhado ao se enxugar.
Quero me recostar em seu peito em cada abraço.
Quero ouvir sua voz a me sussurrar.
Quero da o nó da sua gravata.
Quero que me beije quando chegar.
Quero que me beije quando for sair.
Quero que se irrite no trabalho.
Quero logo depois te acalmar.
Quero lhe recitar meus poemas.
Quero que seja sincero.
Quero que me surpreenda todas as noites.
Quero que me ame nas noites de lua cheia.
Quero ser sua mulher.
Quero que seja meu homem.
Quero que não seja hoje nem amanha, mas...
Quero que seja pra sempre.
E quero que tudo que aqui escrevi, você também queira.
                                                                                                        Ellen C. Macedo

 Mão negra

                                                                                                                                                                   

Uma sombra, onde a tristeza e a dor reinavam, essa sombra era a solidão! Ela ainda reina sobre nosso planeta em certos casos ou pessoas, mas há muito tempo atrás a solidão não tinha todo esse poder sob nós.
Tudo começou quando essa sombra encontrou o planeta terra! E passou a observas as pessoas que aqui viviam, queria vê-las de perto, foi então em uma noite fria que ela veio a Terra em forma de uma linda mulher, pele clara, cabelos longos e negros como a noite, olhos penetrantes e escuros como o universo, mãos delicadas e macias, mas tão bela, só que era fria e triste.
Veio á Terra em uma noite escura e fria, ficou sob uma rocha próxima á um campo, onde João Miguel estava escrevendo uma música que revelava os seus tristes sentimentos, pois ele não sabia o que era ser feliz há muito tempo. Ele preferia ficar longe das pessoas, já que quando estava perto delas só conseguia assustá-las com suas frias palavras, dizia aos amigos coisas como “sua felicidade envenena minha alma” e dizendo coisas desse tipo ele foi se excluindo cada vez mais da sociedade. João Miguel estava encostado na porteira terminando de escrever uma musica, mas viu como a noite estava linda e penso em escrever uma musica sobre aquela tranquila noite de outono, mas algo chamou sua atenção, uma linda mulher toda de preto sob uma rocha que ficava ao lado de uma caramboleira e o vento soprava como nunca havia soprado antes, sua melodia era diferente de qualquer outra, soava suave enquanto ela se aproximava dele. Sem cerimônias ele foi logo perguntando a ela o seu nome! Sem saber o que responder-lhe ela disse:
_Noite, meu nome é Noite!
Ele ficou surpreso com o nome da garota, mas também encantado, pois era o nome de algo que possuía muitos segredos.
_E você? Como se chama?_disse ela com um olhar serio, mas também cheiro de curiosidade.
Ele demorou um pouco para responder, pois na hora parecia ter esquecido ate o próprio nome, mas respondeu após uns segundos:
_ É... Miguel.
A linda mulher chamada Noite se virou e saiu andando, totalmente encantada com o que via e Miguel estranhou a reação da moça, mas também não quis comentar, pois não a conhecia para julgar do modo que ele sempre fez. Parecia ser tarde da noite, mas o sol já estava a nascer quando ela se aproximou dele e pediu que mostrasse-lhe a ela a vida! Ele achou estranho o pedido “mostrar a vida?” constatou que se tratava de uma mulher doente só que foi essa mulher doente que o surpreendeu, por isso decidiu fazer o que ela havia pedido!
Ela não era muita de falar, era sempre seria e com um olhar triste. Miguel mostrou a ela tudo que ela queria saber sobre a vida ou a morte.
Passaram semanas juntos, mas ele nunca soube onde ela morava ou de onde veio, pois sempre que tocavam no assunto ela respondia algo como “Somente indo alem do infinito pra saber”.
Noite parecia um alguém de outro mundo, o que era verdade, mas ela não imaginou que sua presença na Terra causasse algum mal as pessoas. Quando ela se aproximava das pessoas era como se secasse-as de espírito, deixando-as vivas o suficiente para ver sua pele secar ate rachar transformando-se em um nada. É cruel, eu sei! O mais estranho é que não afetava Miguel, mas ela sabia que uma hora ou outra iria afetar.
Pode parecer impossível um sombra de dor criar laços com um humano, Mas foi exatamente o que aconteceu e foi por isso que em uma noite fria a bela Noite despediu-se de Miguel dizendo:
_Passei tanto tempo agindo como humana, que me esqueci que... _Uma lagrima rolou em seu rosto, fez-se um nó na garganta, impedindo-a de completar a frase, mas as palavras saíram com dificuldade _não sou! Não pertenço a esse mundo!
Ele não disse uma palavra, apenas ouviu atentamente o que ela queria dizer.
_Tenho que partir!_ela se virou e foi andando em direção a caramboleira enquanto o vento soprou a mesma melodia de quando ela veio a Terra.  Uma mão negra apareceu diante da Noite e ela foi se desintegrando e juntou-se com as sombras do universo.
Tudo que temos que saber é que a chamada Noite na Terra é a chamada Solidão em outro lugar! A Solidão é uma mão negra que abraça aquilo que percebe estar perdido.

                                                                                                          Ellen C. Macedo