Mão negra
Uma sombra, onde a tristeza e a dor reinavam, essa sombra era a
solidão! Ela ainda reina sobre nosso planeta em certos casos ou pessoas, mas há
muito tempo atrás a solidão não tinha todo esse poder sob nós.
Tudo começou quando essa sombra encontrou o planeta terra! E
passou a observas as pessoas que aqui viviam, queria vê-las de perto, foi então
em uma noite fria que ela veio a Terra em forma de uma linda mulher, pele clara,
cabelos longos e negros como a noite, olhos penetrantes e escuros como o
universo, mãos delicadas e macias, mas tão bela, só que era fria e triste.
Veio á Terra em uma noite escura e fria, ficou sob uma rocha
próxima á um campo, onde João Miguel estava escrevendo uma música que revelava
os seus tristes sentimentos, pois ele não sabia o que era ser feliz há muito
tempo. Ele preferia ficar longe das pessoas, já que quando estava perto delas
só conseguia assustá-las com suas frias palavras, dizia aos amigos coisas como
“sua felicidade envenena minha alma” e dizendo coisas desse tipo ele foi se
excluindo cada vez mais da sociedade. João Miguel estava encostado na porteira
terminando de escrever uma musica, mas viu como a noite estava linda e penso em
escrever uma musica sobre aquela tranquila noite de outono, mas algo chamou sua
atenção, uma linda mulher toda de preto sob uma rocha que ficava ao lado de uma
caramboleira e o vento soprava como nunca havia soprado antes, sua melodia era
diferente de qualquer outra, soava suave enquanto ela se aproximava dele. Sem
cerimônias ele foi logo perguntando a ela o seu nome! Sem saber o que
responder-lhe ela disse:
_Noite, meu nome é Noite!
Ele ficou surpreso com o nome da garota, mas também encantado,
pois era o nome de algo que possuía muitos segredos.
_E você? Como se chama?_disse ela com um olhar serio, mas também
cheiro de curiosidade.
Ele demorou um pouco para responder, pois na hora parecia ter
esquecido ate o próprio nome, mas respondeu após uns segundos:
_ É... Miguel.
A linda mulher chamada Noite se virou e saiu andando, totalmente
encantada com o que via e Miguel estranhou a reação da moça, mas também não
quis comentar, pois não a conhecia para julgar do modo que ele sempre fez.
Parecia ser tarde da noite, mas o sol já estava a nascer quando ela se aproximou
dele e pediu que mostrasse-lhe a ela a vida! Ele achou estranho o pedido
“mostrar a vida?” constatou que se tratava de uma mulher doente só que foi essa
mulher doente que o surpreendeu, por isso decidiu fazer o que ela havia pedido!
Ela não era muita de falar, era sempre seria e com um olhar
triste. Miguel mostrou a ela tudo que ela queria saber sobre a vida ou a morte.
Passaram semanas juntos, mas ele nunca soube onde ela morava ou
de onde veio, pois sempre que tocavam no assunto ela respondia algo como “Somente
indo alem do infinito pra saber”.
Noite parecia um alguém de outro mundo, o que era verdade, mas
ela não imaginou que sua presença na Terra causasse algum mal as pessoas.
Quando ela se aproximava das pessoas era como se secasse-as de espírito,
deixando-as vivas o suficiente para ver sua pele secar ate rachar
transformando-se em um nada. É cruel, eu sei! O mais estranho é que não afetava
Miguel, mas ela sabia que uma hora ou outra iria afetar.
Pode parecer impossível um sombra de dor criar laços com um
humano, Mas foi exatamente o que aconteceu e foi por isso que em uma noite fria
a bela Noite despediu-se de Miguel dizendo:
_Passei tanto tempo agindo como humana, que me esqueci que...
_Uma lagrima rolou em seu rosto, fez-se um nó na garganta, impedindo-a de
completar a frase, mas as palavras saíram com dificuldade _não sou! Não
pertenço a esse mundo!
Ele não disse uma palavra, apenas ouviu atentamente o que ela
queria dizer.
_Tenho que partir!_ela se virou e foi andando em direção a
caramboleira enquanto o vento soprou a mesma melodia de quando ela veio a
Terra. Uma mão negra apareceu diante da
Noite e ela foi se desintegrando e juntou-se com as sombras do universo.
Tudo que temos que saber é que a chamada Noite na Terra é a
chamada Solidão em outro lugar! A Solidão é uma mão negra que abraça aquilo que
percebe estar perdido.
Ellen C. Macedo